O crescimento da direita na composição do Senado após as eleições de primeiro turno pode dificultar a votação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A avaliação é feita por integrantes do governo, que passaram a considerar politicamente mais difícil levar o projeto ao plenário nesta semana.
A mudança no cenário ocorre após a eleição de novos senadores e o desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Segundo a avaliação governista, o resultado eleitoral alterou a correlação de forças no Senado e reduziu as expectativas de apoio à pauta por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União AP).
Alcolumbre havia pautado três sessões no plenário em um movimento interpretado como um aceno ao governo. Agora, porém, integrantes do Executivo não esperam que o presidente do Senado mantenha o mesmo nível de prioridade para a proposta.
A situação também está relacionada às articulações para a eleição da presidência do Senado. Alcolumbre pretende permanecer no comando da Casa e precisa conquistar o apoio da maioria dos parlamentares. O PL passou a ser a maior bancada do Senado, com 28 congressistas, enquanto o PT aparece em segundo lugar, com nove.
Nesse contexto, a relação com Flávio Bolsonaro ganha importância nas negociações políticas. A avaliação citada na coluna é de que Alcolumbre poderá buscar aproximação com o senador para evitar que o grupo bolsonarista articule um candidato próprio para disputar a presidência do Senado.
Segundo a mesma avaliação, os senadores alinhados ao bolsonarismo poderão reunir 49 votos. O número corresponde exatamente aos três quintos necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição no Senado, que possui 81 parlamentares.
Para integrantes do governo, esse cenário representa uma dificuldade adicional para utilizar a discussão sobre o fim da escala 6×1 durante a campanha do segundo turno. A expectativa inicial era de que a pauta pudesse ser utilizada como uma das agendas de mobilização política, mas a mudança na composição e nas alianças do Senado alterou as perspectivas de votação nesta semana.


