Sistema de pedágio sem cancela exige pagamento dentro do prazo; descuido pode virar infração e dívida vinculada à placa
A expansão do pedágio eletrônico no modelo Free Flow, que dispensa praças com cancela e cobrança manual, trouxe mais fluidez às rodovias. Mas a praticidade tem um ponto de atenção: deixar de pagar a tarifa dentro do prazo pode resultar em multa e gerar pendências atreladas ao veículo. Motoristas que não utilizam tag automática ou que desconhecem as regras do sistema são os mais vulneráveis a autuações.
No Free Flow, pórticos instalados ao longo da via identificam a placa ou a tag do veículo e registram a passagem. O pagamento não ocorre no ato, como no pedágio tradicional. Quando o motorista não possui dispositivo eletrônico vinculado a uma operadora, é necessário quitar a tarifa posteriormente, nos canais indicados pela concessionária.
Ignorar essa etapa pode caracterizar evasão de pedágio, infração prevista na legislação de trânsito.
Como funciona a cobrança no Free Flow?
O modelo Free Flow utiliza câmeras e sensores para registrar a passagem dos veículos. Quem possui tag ativa e vinculada a meio de pagamento tem a cobrança feita automaticamente.
Já os condutores sem tag precisam acessar o site ou aplicativo da concessionária responsável pela rodovia para consultar a passagem e efetuar o pagamento dentro do prazo estabelecido.
Esse prazo é contado a partir da data de circulação e varia conforme o contrato de concessão, mas costuma ser informado nos canais oficiais da empresa responsável.
Se o pagamento não for realizado, a situação pode evoluir para infração de trânsito por evasão.
Quando há multa e pontos na CNH?
A evasão de pedágio é considerada infração grave, sujeita à aplicação de multa no valor de R$195,23 e registro de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A autuação ocorre quando o sistema identifica a passagem e não há quitação dentro do período determinado.
Além da penalidade administrativa, o valor da tarifa continua devido.
Em alguns casos, a dívida pode ser inscrita em cadastro de cobrança e gerar restrição vinculada ao veículo, impactando o licenciamento anual até a regularização.
Por isso, não basta apenas pagar a multa, é necessário quitar também o pedágio pendente.
Como evitar pendências no veículo?
Para reduzir o risco de evasão involuntária, algumas medidas práticas são recomendadas:
- Instalar e manter ativa uma tag eletrônica, verificando se o meio de pagamento está válido.
- Atualizar dados cadastrais, incluindo placa e informações de contato junto à operadora ou concessionária.
- Consultar periodicamente as passagens registradas, especialmente após viagens em rodovias com Free Flow.
- Respeitar o prazo de pagamento informado, guardando comprovantes de quitação.
Também é importante ficar atento à sinalização na rodovia, que indica a presença do sistema e orienta sobre formas de pagamento.
Motoristas que utilizam veículos alugados ou de terceiros devem confirmar quem ficará responsável pela quitação da tarifa.
Atenção redobrada em viagens
O modelo Free Flow tende a se expandir em diferentes estados, substituindo gradualmente as praças físicas de pedágio. Para quem viaja com frequência, a adaptação ao novo formato é parte do planejamento.
Desconhecer o funcionamento não afasta a responsabilidade pelo pagamento. Assim como ocorre com multas tradicionais, a notificação pode chegar dias depois da passagem.
Antes de pegar a estrada, vale verificar se a rodovia adotada opera com pedágio eletrônico e quais são os canais de consulta e pagamento.
A fluidez proporcionada pelo Free Flow elimina filas, mas transfere ao motorista a responsabilidade de acompanhar e quitar a tarifa corretamente. Ao entender como funciona o sistema e manter atenção aos prazos, o condutor evita multas, pontos na habilitação e bloqueios no licenciamento.
Em vez de transformar a viagem em fonte de pendências, a organização prévia garante que a tecnologia cumpra seu objetivo: facilitar o trajeto sem criar novos problemas administrativos.

