Alckmin trata com vice-presidente da China sobre salvaguardas à carne bovina brasileira

 

O presidente interino do Brasil, Geraldo Alckmin, conversou por telefone nesta quarta-feira (28) com o vice-presidente da República Popular da China, Han Zheng, para tratar das salvaguardas aplicadas pelo governo chinês à carne bovina brasileira. Durante o diálogo, Alckmin manifestou preocupação com os impactos da medida sobre o setor pecuário nacional e destacou a importância do comércio bilateral para as economias dos dois países.

Desde o dia 1º de janeiro, a China passou a aplicar salvaguardas às importações de carne bovina provenientes de alguns países, incluindo o Brasil. A medida prevê a cobrança de uma sobretaxa de até 55% sobre o volume que ultrapassar a cota anual de 1,1 milhão de toneladas. Segundo as autoridades chinesas, o mecanismo tem validade inicial de três anos e poderá ser reavaliado ao longo do período, conforme a evolução do mercado interno.

Durante a conversa, Alckmin ressaltou que o Brasil é um fornecedor estratégico e confiável de carne bovina para a China, cumprindo rigorosamente os protocolos sanitários e de qualidade exigidos pelo mercado internacional. O presidente interino também destacou que a relação comercial entre os dois países é marcada por cooperação e previsibilidade, fatores que, segundo ele, devem ser preservados para evitar prejuízos a produtores e consumidores.

As chamadas salvaguardas comerciais são instrumentos previstos nas normas internacionais de comércio e podem ser adotadas por países quando há aumento significativo de importações que cause ou ameace causar danos a setores da economia nacional. No caso da China, a medida busca proteger a produção interna de carne bovina diante do crescimento das importações. No entanto, representantes do setor brasileiro avaliam que a sobretaxa pode reduzir a competitividade do produto nacional e afetar exportações.

Alckmin ocupa interinamente a Presidência da República em razão da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Mesmo no exercício temporário do cargo, o vice-presidente tem mantido agendas voltadas à política econômica e às relações internacionais, especialmente em temas sensíveis ao agronegócio brasileiro.

A China é hoje o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por uma parcela significativa das exportações do setor. Diante disso, o governo brasileiro deve intensificar o diálogo diplomático e técnico para buscar alternativas que reduzam os efeitos das salvaguardas, defendendo os interesses dos produtores nacionais e a manutenção do fluxo comercial entre os dois países.

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