Maia chama terceira via de fracasso e indica apoio a Lula contra Bolsonaro

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Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PSDB-RJ) classificou a terceira via, encabeçada pela senadora Simone Tebet (MDB) – e apoiada pelos tucanos – como um “fracasso”. A declaração ocorreu durante o painel ‘Amanhã vai ser maior? Os novos desafios da política brasileira de 2023’, neste domingo (26), dentro do Fórum Brasil UK, na Universidade de Oxford.

Durante o evento, Maia ainda afirmou que o pré-candidato à presidência Lula (PT) foi o melhor presidente da história do Brasil desde a redemocratização e indicou apoio ao petista na disputa contra Jair Bolsonaro (PL). Participaram do debate com o parlamentar a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), a antropóloga Renata Pinheiro-Machado e a jornalista Renata Souza.

Segundo Rodrigo Maia, o campo político da direita, que poderia estruturar uma candidatura capaz de fazer frente a Lula e Bolsonaro, composto por partidos como PSDB, MDB e Cidadania, perdeu espaço em 2018 após as eleições presidenciais.

“Até agora fomos um fracasso. O que deveríamos ter feito é empurrar o Bolsonaro para a extrema direita e ter dito que nosso caminho é pela direita. Como não temos coragem de fazer esse discurso, porque ainda estamos muito próximos do processo de redemocratização, nosso campo está ficando cada vez menor”, assinalou o parlamentar.

Para ele, uma reorganização partidária em 2023 pode indicar um caminho para a estruturação de um novo caminho à direita. “Acho que nesse processo, com renovação ou sem renovação, vai trazer pela redução dos partidos um número de fusões para saber em que lugar nós, que do ponto de vista econômico estamos mais à direita, conseguimos nos colocar nesse espectro político”, complementou.

Sobre a candidatura de Simone Tebet, que foi endossada pelo PSDB após a desistência de João Dória (PSDB) em concorrer ao Palácio do Planalto, Maia acredita que a senadora não deve chegar ao segundo turno. “Acho que a gente tem que ajudar nesse debate com a Simone a propor algo mesmo que a gente não vá ao segundo turno, para que o presidente Lula possa aplicar nossas ideias nesse processo de concertação que o Brasil vai fazer”, ponderou Maia.

Apoio a Lula
Entre uma eventual disputa entre Lula e Bolsonaro, Rodrigo Maia foi direito. “Eu tendo a ser mais Lula, até por questões óbvias, porque vivi por dentro o que é o bolsonarismo”, disse ao se referir aos ataques sofridos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. O apoio a Lula, complementou o deputado, se dá pelo desempenho obtido durante os governos do petista entre 2003 e 2010.

“É só olhar os números, os indicadores econômicos, foi o melhor momento desde a redemocratização dos governos brasileiros. O Lula foi o melhor presidente que nós tivemos. Claro que o presidente Fernando Henrique Cardoso pegou um país destroçado e tem um mérito brutal histórico em como ele entregou o governo para o presidente Lula”, finalizou o deputado.

Herança Maldita
Para Rodrigo Maia, caso seja eleito, o pré-candidato do PT deverá herdar graves problemas da gestão de Jair Bolsonaro. “O Lula vai pegar um governo muito pior. Se aquilo (transição após FHC) era herança maldita, ele vai ver o que é herança maldita agora”, criticou o ex-presidente da Câmara.

As irregularidades, para o parlamentar, não derivam apenas dos atos de Bolsonaro, mas também tiveram o apoio do Congresso. “Nós (deputados) estamos ajudando o governo a fazer todo tipo de desorganização. Nós ajudamos a PEC dos precatórios, nós articulamos o orçamento secreto e a esquerda faz parte disso também porque também está recebendo”, observou.

Outro fator que tem interferência na situação atual é a eleição para a presidência da Câmara, em que Arthur Lira (PL), candidato apoiado pelo governo, derrotou o deputado Baleia Rossi (MDB), candidato de Maia e apoiado pela oposição. “O PSDB e o DEM acabaram no Congreso quando abraçaram a campanha do bolsonarismo, e sem nenhum crítica ao Arthur que fez bela campanha, acertou e desmontou nossa aliança com a esquerda e venceu as eleições”, relembrou.

Para o futuro, Maia diz que o PSDB, partido ao qual ele é filiado, deve se atentar para evitar perder capilaridade. Ele citou como o exemplo o fim do DEM, sigla que, em fusão ao PSL, deu origem ao União Brasil. “O PSDB, se não tomar cuidado, vai fazer o mesmo depois da eleição. Porque o processo político está de uma forma onde nós estamos ajudando o Bolsonaro a desmontar a federação”, concluiu.

O Tempo

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