Influencer que teve de devolver criança consegue registrar filho quase dois anos após adoção, no Ceará

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O casal Gabriela Fernandes Moreira e Thallys Lima registram oficialmente o filho de dois anos, que eles batizaram de Santiago. Os moradores de Tianguá, a 318 km de Fortaleza, passaram por adversidades durante o processo de adoção, tendo, inclusive, de devolver a criança mesmo após 20 dias de convívio com o menino, em 2020.

“O dia que nós tanto esperamos chegou. Você mudou as nossas vidas e hoje, mais do que nunca, eu posso dizer que você é meu fiho. Nosso Santiago, tão querido e tão amado. Hoje eu posso mostrar seu rostinho lindo”, publicou Gabriela em vídeo nas redes sociais onde comemorou a oficialização da adoção.

O casal cuidou durante 20 dias de bebê de quatro meses, mas após esse período, a Justiça do Ceará determinou que o processo de adoção estava irregular e que eles precisariam devolver o bebê para a instituição de acolhimento.

O registro foi comemorado, em especial, por Gabriela que é digital influencer, com mais de 750 mil seguidores no Instagram. Sem a oficialização, ela precisava esconder o rosto da criança sempre que ia postar alguma foto com ele.

Relembre o caso
Em 2020, Associação Cearense de Magistrados (ACM) informou, em nota, que o juiz da 3ª Vara de Tianguá, Bruno dos Anjos, autorizou que o casal iniciasse um processo de “fortalecimento de vínculos”, que consiste em visitas à criança no próprio acolhimento, no entanto, segundo a entidade, a direção do local permitiu que a criança fosse para a casa de Gabriela.

A Justiça determinou o retorno à instituição de acolhimento. Em seguida, os pretendentes postularam a guarda da criança. Contudo, o pedido foi negado, pois, foi identificado que o cadastro do casal não estava formalmente habilitado na fila do Sistema Nacional de Adoção (SNA).

“A sensação é quase de um luto, mas é diferente porque tem a esperança de conseguir de volta, não é uma perda total”, ressalta Gabriela, que confessa ter se sentido “sem chão” ao receber a notícia, principalmente por já estar acostumada a encontrar Santiago – como nomeou o bebê – todos os finais de semana desde dia 26 de setembro.

Inscrição no Cadastro Nacional

Gabriela explicou que efetivou a inscrição no Cadastro Nacional de Adoção em 2018 e recebeu a ligação do acolhimento municipal “Espaço Vida”, informando que seria dado início ao processo de vínculo entre eles e o bebê, que à época, tinha um mês de vida.

Os encontros eram realizados para fortalecer a conexão entre o casal e a criança. Eles chegaram a ficar com o bebê por um período de uma semana, durante os dias 12 a 16 de outubro.

A empresária acreditava estar com a documentação em ordem, não suspeitando que um erro pudesse ocorrer. Conforme explicou, foi informada pelo juiz da 3ª Vara de Tianguá de que faltava o comprovante de realização do curso de adoção, realizado por ainda em 2018, em seu processo.

Gabriella disse ainda que havia sido notificada pela coordenadora do abrigo “Espaço Vida”, Marília Pinto de Carvalho, ser a próxima da fila e que foi somente após a permissão do juiz que o abrigo entrou em contato.

A versão da ACM e do Ministério Público do Ceará (MPCE), no entanto, é a de que a coordenadora do acolhimento autorizou a saída da criança para passar fins de semana e, inclusive, uma semana inteira na residência dos pretendentes, sem autorização judicial e sem consentimento da autoridade judiciária e do Ministério Público.

Conforme a coordenadora do “Espaço Vida”, o bebê, nascido em agosto de 2020, foi levado para o acolhimento municipal em setembro. Antes da criança ser oficialmente destituída do vínculo com a mãe biológica e cadastrada no Sistema Nacional de Adoção, a coordenadora afirmou ter recebido permissão por parte do juiz da 3ª Vara de Tianguá, Bruno dos Anjos, para entrar em contato com o próximo casal da fila, no caso, Gabriela e Thallys.

Conforme Marília, a permissão para liberar a saída da criança do abrigo teria ocorrido a partir de um acordo entre o Ministério Público do Ceará, o abrigo municipal e o Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), para facilitar o andamento da adoção. “Fizemos tudo acompanhado pelos profissionais capacitados, buscando minimizar esse processo de acolhimento”, explica, declarando já ter ocorrido casos similares anteriormente.

Tanto a ACM e o MPCE negaram o acordo. “Este fato só chegou ao conhecimento do MP no dia 16 de dezembro de 2020, através de vídeo publicado nas redes sociais”, explica a nota. Para o Ministério Público, apesar da dor do casal de pretendentes, é necessário seguir os trâmites legais para o processo de adoção.

Foto: Redes sociais / Fonte: G1 CE

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