Barroso é chamado de mentiroso na Inglaterra: ‘Brasil virou país de ofensas’ | O TEMPO

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Ao discursar sobre o período em que presidiu o Tribunal Superior Eleitoral e a necessidade de impedir “esse abominável retrocesso que seria a volta do voto impresso com contagem pública manual”, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso foi interrompido duas vezes, uma por uma mulher que o chamou de mentiroso e depois por um homem, que levantou suspeita sobre a conduta do ministro do STF e atual presidente do TSE, Edson Fachin.

O caso ocorreu durante discurso de Barroso no Brazil Forum IK, promovido em Oxford, na Inglaterra, no sábado (25). O ministro dizia que precisou “oferecer resistência aos ataques contra a democracia e impedir esse abominável retrocesso que seria a volta do voto impresso com contagem pública manual, que sempre foi o caminho da fraude no Brasil”.

Uma mulher na plateia gritou que “isso é mentira. Ninguém falou em contagem manual”. O ministro retrucou: “A senhora pode entrar na internet agora, qualquer pessoa. O discurso oficial era, abro aspas: ‘Voto impresso com contagem pública manual’. Fecho aspas. É só olhar”. Enquanto o ministro respondia, a mulher falou por cima: “Eu já entrei e já vi”.

Na sequência, um homem repetiu discurso frequente do presidente Jair Bolsonaro (PL), que acusa Fachin de ter favorecido o ex-presidente e pré-candidato ao Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenções de voto: “Como que a gente vai confiar nas urnas se o cara que vai presidir foi o cara que liberou o maior ladrão?”.

Sobre voto impresso, o ministro se referia à proposta do deputado federal bolsonarista Filipe Barros (PL-PR), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, de autoria da deputada federal, também bolsonarista, Bia Kicis (PL-DF), que tratava da impressão do voto nas urnas eletrônicas.
No entanto, Barros fez uma alteração no texto para incluir a contagem pública e manual dos votos, que é exatamente a referência feita por Barroso.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) foi o responsável por enterrar a discussão sobre voto impresso na Casa.
Em agosto do ano passado, quando a votação levou à derrota da PEC, Lira disse: “Com respeito à Câmara dos Deputados, esse assunto está, neste ano, e com esse viés de constitucionalidade, encerrado. Nós não teríamos tempo nem espaço para iniciarmos nova discussão”.

Voltando ao discurso de Barroso, depois da interrupção da mulher, o ministro declarou que “um dos problemas que estamos enfrentando no Brasil é um déficit imenso de civilidade”.
“Todas as posições merecem respeito e consideração, principalmente se forem verbalizadas com educação, mas a gente tem que trabalhar em cima de fatos. Isso foi o que se perdeu no Brasil”, afirmou.

“Viramos um país de ofensas. Uma coisa terrível que aconteceu no Brasil foi que o pensamento conservador, que é legítimo, foi capturado pela grosseria, pela ofensa, pelo ataque. O sujeito fala assim: ‘Em nome de Deus, eu quero que você morra’. É o contrário do que o que o cristianismo prega, portanto acho que um choque de civilidade é o que estamos precisando”, acrescentou o ministro.

Fonte: O Tempo

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