Cansados, mas em segurança: alpinistas recordistas retornam do Everest

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Depois de estabelecerem recordes na escalada do Monte Everest, a maior montanha do planeta, alpinistas celebraram seus feitos, apesar de alguns dizerem que estavam cansados demais para traçar os próximos planos de escalada.

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Arthur Muir, de 75 anos, advogado aposentado de Chicago, tornou-se o cidadão dos Estados Unidos mais velho a atingir o cume de 8.848,86 metros, em 23 de maio – o recordista geral nessa categoria é o japonês Yuichiro Miura, que chegou ao topo do Everest em 2013 aos 80 anos.

Já Tsang Yin-Hung, de 45 anos, ex-professora em Hong Kong, tornou-se a mulher a escalar a montanha de forma mais rápida, em pouco menos de 26 horas. Normalmente, os escaladores passam vários dias em diferentes acampamentos antes de chegar ao pico.

Por fim, o chinês Zhang Hong, de 46 anos, tornou-se o primeiro cego da Ásia e o terceiro do mundo a escalar o Everest a partir do lado nepalês da montanha – feito realizado antes apenas pelo norte-americano Erik Weihenmayer, em 2001, e pelo austríaco Andy Holzer, em 2017.

Muir, que tem três filhos e seis netos – incluindo um que nasceu enquanto ele escalava o Everest – disse que ainda é muito cedo para decidir seus planos futuros.
“Ainda não decidi”, disse ele a repórteres no aeroporto de Kathmandu, após retornar da montanha.

Muir, que abandonou em 2019 uma tentativa anterior de conquistar o pico mais alto do mundo após cair de uma escada e quebrar o tornozelo, disse que já estava exausto quando finalmente chegou ao cume.
“Francamente, fiquei surpreso quando cheguei lá, mas estava cansado demais para ficar de pé… E ventava muito e estava muito frio”, disse ele, que começou a escalar montanhas na América do Sul e no Alasca depois de se aposentar aos 68 anos.

Ele disse que não estava com medo, apesar dos relatos de um surto de Covid-19 no acampamento-base, porque ele foi vacinado antes de chegar ao Nepal e seguiu os protocolos de saúde.
Já Tsang atingiu o cume em 25 horas e 50 minutos após sair do acampamento base, fazendo duas breves paradas antes de chegar ao pico. 

Ela quebrou o recorde de 39 horas e 6 minutos estabelecido em 2017 pela nepalesa Phunjo Jhangmu Lama.
“Sinto uma espécie de alívio e estou feliz porque não procuro quebrar recordes”, disse ela. “Eu só quero me desafiar… então me sinto aliviada porque posso provar meu trabalho para meus amigos e meus alunos.”

Determinação pessoal supera medo

O alpinista Zhang, da China, apenas a terceira pessoa cega em todo o mundo a alcançar o cume do Everest, afirmou que seu feito mostra que o mais importante é a determinação mental para conquistar objetivos que podem parecer impossíveis.
“Não importa se você é deficiente, se você perdeu a visão, não tem pernas ou mãos, não importa, contanto que você tenha uma mente forte, você sempre pode completar algo que outras pessoas dizem que você não pode”, disse ele.
Zhang completou a façanha junto com três guias de alta altitude, e voltou ao acampamento-base na quinta-feira (27). Nascido na cidade de Chongqing, no sudoeste da China, ele perdeu a visão aos 21 anos devido a um glaucoma.

“Eu estava com muito medo, porque não conseguia ver por onde estava andando e não conseguia encontrar meu centro de gravidade, então às vezes eu caía”, disse o montanhista.
“Mas continuei pensando que, embora fosse difícil, tinha que enfrentar essas dificuldades. Esse é um componente da escalada, existem dificuldades e perigos e esse é o significado da escalada.”

Foto: Reuters

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Fonte: CNN Brasil

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