Pacientes e médicos falam sobre colapso em Manaus

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Manaus está em colapso com o avanço dos casos de Covid-19: as internações bateram recordes, as unidades de saúde ficaram sem oxigênio, e pacientes estão sendo enviados para outros estados. Os cemitérios, que também estão lotados, tiveram o horário de funcionamento ampliado e instalaram câmaras frigoríficas. Para frear o vírus, o governo decidiu proibir a circulação de pessoas entre 19h e 6h em Manaus.

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O G1 reuniu relatos de pacientes, familiares e médicos sobre a crise sem precedentes na cidade de Manaus:
A médica residente Gabriela Oliveira, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), disse que a situação em Manaus está caótica sem cilindros de oxigênio:

“O que eu vivi hoje nem nos meus piores pesadelos eu pensei que poderia acontecer. Não ter como assistir paciente, não ter palavras para acalentar um familiar. Isso é uma coisa que vai ficar uma cicatriz eterna nos nossos corações (…). Já não temos mais saúde mental pra lidar com a situação que Manaus está enfrentando. Hoje acordamos no nosso pior dia, a falta do oxigênio em algumas instituições nos deixou desesperados. É muito angustiante a gente não ter o que fazer”, disse ela.

A técnica de enfermagem aposentada Solange Batista está tentando comprar oxigênio para encher o cilindro para sua irmã, que está hospitalizada:

“Estou tentando correr atrás, estou indo atrás de alguém que encha o cilindro. Mas não é só a minha irmã. Graças a Deus a gente ainda pode comprar, mandar encher. Mas e quem não pode? Como fica? Tem muita gente morrendo. Muita gente. E cadê o governo?”, questiona Solange.

“É de uma tristeza imensa pelas perdas de vítimas, pelas pessoas que perderam seus entes queridos, seus familiares, seus amigos. É de uma tristeza enorme”, disse a amazonense Kerlane Jackman, vacinada na Inglaterra.
O governador do Amazonas Wilson Lima comparou a situação ao um cenário de guerra.

“Nós estamos em uma operação de guerra. Hoje, o oxigênio é o produto mais consumido diante dessa pandemia de Covid-19. Hoje o estado do Amazonas, que é referência no mundo, em que todo o mundo volta os olhos pra cá, está clamando, está pedindo por socorro”, declarou Wilson Lima.

Um homem, que não se identificou, chegou com a mãe para tentar socorro médico urgente no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Alvorada, na Zona Centro-Oeste de Manaus, e encontrou as portas fechadas. O local tinha atingido a capacidade de atendimento.

“Caso gravíssimo de diabetes, médico pediu urgente pra tomar soro com insulina, senão vai morrer. Ele encaminhou pra cá só pra tomar soro com insulina, pra ver se baixa, pra tentar sobreviver”, declarou.

Na quarta-feira (13), o ministro Eduardo Pazuello disse que a prioridade na vacinação contra a Covid-19 será a cidade de Manaus, devido ao aumento rápido no número de casos nos últimos dias.

“Vamos vacinar em janeiro. E Manaus será também a primeira a ser vacinada, eu fui claro? Ninguém receberá a vacina antes de Manaus. A vacina será distribuída simultaneamente em todos os estados, na sua proporção de população. E Manaus terá a sua prioridade também”, disse Pazuello.

Foto: Reprodução

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Fonte: Portal G1

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