Estudo analisa como bactérias do mangue cearense podem decompor resíduos de petróleo cru no mar

Quase um ano após o aparecimento das manchas de óleo no litoral brasileiro, cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) trabalham no desenvolvimento de um composto de bactérias capazes de degradar as substâncias poluentes do petróleo cru. Esse estudo é feito com amostras coletadas do mangue cearense e visa a decompor os resquícios de óleo existentes nas praias de forma mais rápida.
Como forma de recuperar os danos causados pela poluição, a pesquisa cearense começa por isolamentos das bactérias, formação de consórcios, quando se faz a união dos microrganismos, e testes com intervalos entre 30, 60 e 90 dias. Os resultados avaliam o potencial destes compostos para degradar os resíduos de óleo. Naturalmente, essa decomposição pode levar 50 anos. O trabalho é coordenado pela professora Vânia Melo, do Departamento de Biologia da UFC.
Em agosto de 2019 um vazamento fez surgir as manchas de óleo no país e, desde então, mais de 1000 localidades foram atingidas pela poluição. Ainda não foram encontradas as causas da dispersão do material apontado como de origem venezuelana. Pelo menos 40 toneladas de petróleo cru e de resíduos foram removidas de praias cearenses, conforme a Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema).
Também foram colhidas amostras de outros ambientes contaminados, além das áreas atingidas pelo petróleo cru, que tiveram os microrganismos isolados e selecionados conforme o potencial de degradação, como explica Talita Tavares, pesquisadora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar).

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“A gente também avalia se elas conseguem produzir os chamados biossurfactantes, que é como se fosse detergentes naturais, que eles ajudam a emulsificar aquele óleo e facilitam o processo de degradação”, acrescenta.

As substâncias poluentes ainda estão na água e na areia e preocupam os pesquisadores devido o potencial de prejudicar à vida marinha e à saúde humana. “Tem compostos mais volúveis, de tamanho menor, e esses compostos conseguem interagir com o ambiente, com a areia e com os microrganismos que estão ali de uma forma muito mais forte até que aquela porção que você enxerga”.

“Os perigos para a saúde humana são realmente grandes porque algumas dessas substâncias são, por exemplo, carcinogênicas, elas podem causar câncer. Realmente exige monitoramento. Se a gente tiver falando da saúde dos ecossistemas, elas podem afetar ovos de peixes, larvas e peixes adultos.”

Os testes em larga escala carecem do avanço da pesquisa e da licença de órgãos ambientais do Estado. “Nossa ideia é trazer um produto inovador onde a gente possa levar mais bactérias para o ambiente para acelerar essa recuperação e o que é mais importante é que a gente está usando tudo que é biodegradável, ecologicamente correto”, ressalta Talita. Além disso, o resultado é uma substância atóxica e que não se acumula no meio ambiente.
A pesquisa cearense entrou para as 12 propostas aceitas no programa Entre Mares, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que recebeu 278 projetos de combate aos prejuízos da poluição por óleo. As áreas temáticas que foram priorizadas são: avaliação dos impactos ambientais e socioeconômicos, dispersão do óleo, processamento de resíduos, tecnologia aplicada à contenção do óleo e biorremediadores, como é o caso do estudo da UFC.
As propostas aprovadas terão financiamento de até R$ 100 mil, liberados em uma única parcela, e uma cota de bolsa de mestrado, de acordo com a Capes. Os projetos devem ser desenvolvidos ao longo de dois anos, podendo ser prorrogado por mais um ano.

Foto: Kílvia Muniz/SVM

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Fonte: Portal G1 CE

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