Incêndios no Ceará crescem 21,46% em 2020; foram 781 ocorrências

O Ceará registrou, somente nos primeiros sete meses do ano (janeiro a julho), 781 incêndios em vegetações. Se comparado ao mesmo período em 2019, quando número foi de 643, houve um crescimento de 21,46%. Os dados são da Gerência de Estatística e GeoProcessamento da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS).

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As informações disponibilizados também trazem outros recortes. Em Fortaleza e Região Metropolitana (RMF) foram registradas 364 ocorrências entre janeiro e julho, sendo 202 ocorrências apenas em julho. Comparado a 2019 (quando foram 234), crescimento também é expressivo: 55,56%.

Já no Interior do Ceará, no mesmo período, foram 417 incêndios – número próximo ao de 2019 (409 ocorrências).

Outro dado importante é o número de incêndios nos chamados “Monturos”. Esses registros correspondem a focos de incêndio em lixos, terrenos baldios e locais semelhantes.

Discriminando os dados, temos:

Números de ocorrências de incêndios em Monturo no Ceará: 358 entre janeiro e julho.
Aumento de 4,99% em relação à 2019, quando número foi de 341.

Número de ocorrências de incêndio em Monturo em Fortaleza e RMF: 205 entre janeiro e julho.
Aumento de 22,02% em relação à 2019, quando foram registrados 168.

Número de ocorrências de incêndio em Monturo no Interior do Ceará: 153 entre janeiro e julho deste ano. Nesse caso, houve uma diminuição em relação a 2019. Número caiu de 173 para 153, percentualmente a queda é de -11,56%.

Monitoramento

O tenente Waldomiro Loreto do Nascimento, do Corpo de Bombeiros, explica que os números, na verdade, não “surpreendem” a corporação. Isso porque o órgão costuma observar as regiões e, devido condições meteorológicas, é possível saber se no semestre terá muitas ocorrências.

Para esse ano, o tenente conta que a condição meteorológica está desfavorável, o que deve tornar o segundo semestre de 2020 ainda mais seco, aumentando os focos de incêndio. “Se você olhar os focos de 2019 e comparar com 2018, já teve um aumento. E nesse ano também. É uma estimativa, lógico, mas é muito fidelizado”, explica Loreto.

Essa previsão é feita com um ano de antecedência. Ou seja, a corporação, que possui um mapeamento das áreas de risco, já está monitorando 2021, a fim de prevenir possíveis incêndios. Nesse ano, o governador Camilo Santana lançou Decreto Estadual afirmando que o Estado está em situação de emergência quanto aos incêndios. Até 31 de janeiro de 2021 está proibido qualquer tipo de queimada.

Também nesse ano, o Corpo de Bombeiros lançou a Operação Floresta Branca, com foco na prevenção. Nesses tempos de pandemia, como a corporação não pode fazer trabalho corpo a corpo com a população, todas as informações e alertas estão sendo feitos por outros canais, como as redes sociais.

Os incêndios
Um incêndio em vegetação pode levar até cinco dias para ser controlado se a corporação não for logo acionada. Se o chamamento for feito no mesmo dia, o controle acontece com mais rapidez.

“Nas zonas urbanas, o problema maior é com lixo e terrenos baldios, onde as pessoas costumam colocar fogo. É perigoso, pode afetar o sistema respiratório e piorar o estado de quem se trata de coronavírus em casa, por exemplo”, acrescenta Loreto. Se o lixo é um dos principais problemas nas zonas urbanas, nas zonas rurais é a prática de “limpeza de terreno” que acaba causando incêndios.

O tenente ainda compartilha outro dado: é entre meio-dia e 18 horas que acontecem mais incêndios causados por humanos. “O laboratório de Incêndios Florestais da Universidade do Paraná apurou que 94,4% dos incêndios são causados por pessoas. Em 60% desse número, a causa do incêndio é o incendiário, ou seja, a pessoa decide por conta própria colocar fogo, sem motivo”, alerta.

As regiões Norte, Cariri e do Iguatu no Ceará são as mais preocupantes. “A região do Iguatu tem mais incêndios, mas os da Região Norte são mais violentos, por causa da vegetação”, afirma Loreto. Segundo ele, práticas simples como ligar 181 ou 193 quando visualizar algum incêndio podem evitar grandes tragédias.

Não queimar lixo em casa ou em terrenos, obedecer a coleta seletiva e, no caso de agricultores rurais, não limpar o terreno utilizando queimadas, são atitudes essenciais. “A gente precisa contar com o apoio da população. Não é só questão ambiental, mas também de educação, cultura. Nosso dever é proteger o meio ambiente”, encerra o tenente do Corpo de Bombeiros do Ceará.

Foto: Divulgação/CBM

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Fonte: O Povo Online

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