Cearense de 8 anos faz rifa da bicicleta que ganhou no Natal para custear tratamento de doença rara em SP

Kaio fez uma rifa com uma bicicleta que ganhou no Natal. FOTO: Helene Santos
É com a própria bicicleta que o pequeno Kaio Macêdo, de oito anos, sonha alcançar a meta de estabilizar os efeitos da histiocitose, doença rara que lesiona tecidos ósseos e com a qual ele convive há três anos.

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Rifando o presente de Natal, o menino busca fazer um tratamento alternativo em São Paulo. A bicicleta, que ganhou no sorteio de uma associação que atende crianças com saúde debilitada, garantirá passagens, alimentação e estadia. A viagem, marcada para fevereiro, deve custar R$ 20 mil. 

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Pelo menos uma vez por semana, Kaio e a mãe percorrem 288 km de Potiretama, na Região do Vale do Jaguaribe, até o Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS), em Fortaleza, para sessões de quimioterapia. Ao saber da possibilidade de tratar a histiocitose com mais eficiência em São Paulo, começou a campanha de arrecadação.

“A gente quer ir a São Paulo para ter outras opiniões médicas porque já tem quem trata essa doença lá e está evoluindo. Queremos ver se dá certo com ele. Eu tenho muita fé em Deus”, conta Jeane Macêdo, de 35 anos, mãe do garoto.

Devido à doença, Kaio sente dor no corpo, tem algumas lesões no osso do crânio e desenvolveu diabetes insipidus.

Rifa 
Abrir mão do presente que ainda nem aprendeu a usar, devido à rotina cansativa, não é considerado problema para o menino. “Eu quero mesmo é me livrar dessa doença porque eu não aguento mais toda semana vir para o hospital e ser ‘agulhado’, internado, andar de um lado para o outro e tomar uma ‘quimio’ que me deixa mole que nem manteiga”. 

O menino arranca risadas de quem procura as rifas por ficar contrariado com os descontos que a mãe dá na hora de vender os bilhetes. “Você assina o seu nome num papelzinho que custa R$ 3, mas a minha mãe inventou de colocar uma promoção e a cada dois cartões que você compra é R$ 1 a menos”, reclama. 

Além da rifa, a família organiza uma campanha online para arrecadar fundos.

Rotina 
Para o tratamento, mãe e filho saem à meia-noite de Potiretama e chegam por volta de 7h a Fortaleza. “Ele pouco frequenta a escola porque tem os dias que a gente vêm [fazer o tratamento]e tem os enjoos. Tem semana que ele não vai nenhum dia”, conta Jeane. 

Na capital, o menino ainda faz acompanhamento com endocrinologista e os exames periódicos. Por isso, fica em um abrigo na cidade. “Teve uma época que ele estava internado, passávamos quatro dias aqui e íamos para casa”, lembra a mãe. 

Histiocitose 
Médico hematologista do HIAS, Artur Moraes esclarece que a histiocitose, apesar de não ser uma célula maligna, tem o comportamento de um câncer. “Existem vários tipos de histiocitose, com chances diferentes de tratamento e, consequentemente, chances diferentes de cura. Tudo isso vai depender do subtipo da doença”, diz. 

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De acordo com o especialista, a doença responde ao tratamento conforme a gravidade. “Há um ‘subtipo’ em que a enfermidade não vai responder nem à quimioterapia. Quando sistêmica, a histiocitose pode envolver vários órgãos do corpo, como ossos, medula óssea, sistema nervoso, inclusive o sistema endócrino”, pontua.                            (G1 CE)

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